Empreendedorismo Feminino e FEM TECH

INTRODUÇÃO:

Mesmo que os números das pesquisas não sejam tão modestos, é certo que o EMPREENDEDORISMO FEMININO continua em ascensão e transformando o mercado. A tendência, segundo especialistas, é continuar avançando e atraindo cada vez mais mulheres para abrirem seus próprios negócios.

A mulher ampliou seu lugar, demonstrou habilidade na GESTÃO e ganhou destaque no mundo dos negócios.

O espaço, tradicionalmente masculino, tem perdido tamanho pela disposição das mulheres em derrubar obstáculos, disputar as mesmas oportunidades e ter reconhecimento por sua capacidade de bater de frente com os homens.

NÚMEROS

De acordo com a pesquisa Empreendedorismo Feminino no Brasil, feita em 2019 pelo SEBRAE em parceria com o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), o número de EMPREENDEDORAS no Brasil chega a 24 milhões em contraste com 28 milhões de homens. Em comparação com os números obtidos em 2014 (7,9 milhões), o aumento foi de 200% em 5 anos. 

O resultado coloca o país em 7º lugar  com maior proporção de mulheres entre os EMPREENDEDORES iniciais. 

Segundo pesquisas mais recentes da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), do total das STARTUP’S no Brasil em 2020, 59,2% foram criadas por homens, 12,6% corresponde às que foram criadas por mulheres e o restante foram criadas por homens e mulheres. 

Para muitos analistas, o crescimento é justificado por que metade da população do mundo é formada por mulheres. Outras opiniões apontam que é o resultado das poucas oportunidades e o preconceito do mercado de trabalho formal.

Em 2018 a pesquisa da DTTL (Deloitte Touche Tohmatsu Limited) mostrou que no Brasil somente 8,6% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. O resultado coloca o país na 38º posição mundial de liderança feminina.

OBSTÁCULOS

Porém para obter espaço, as EMPREENDEDORAS ainda têm que enfrentar um longo caminho pela frente: preconceito, poucas oportunidades de capacitação mais adequada, acesso às tecnologias, recursos financeiros, orientação e, principalmente o equilíbrio entre os negócios e a vida pessoal – a dupla jornada. Entretanto, estas barreiras estão diminuindo de tamanho pelos resultados e pela forma como as mulheres têm conduzido os negócios.

Infelizmente, 44% das mulheres vão para o EMPREENDEDORISMO por NECESSIDADE, na informalidade, por falta de oportunidades no mercado de trabalho, reconhecimento e valorização do seu trabalho, demissão após licença maternidade etc. Entretanto, isto não tira o seu valor.

NECESSIDADE X OPORTUNIDADE

Necessidade: são mulheres que não conseguiram colocação no mercado de trabalho por vários motivos: discriminação, condição sócio econômica, garantia de renda própria, renda extra para ajudar a família, cuidados com os filhos, baixa escolaridade, sobrevivência etc.

Oportunidade: a tendência, aos poucos, vem mudando. A cada ano cresce o número de mulheres que vem procurando uma preparação mais profissionalizada pelo acesso às informações da internet e cursos direcionados. Portanto, a escolha pelo EMPREENDEDRISMO é por interesse em se dedicar ao mundo dos negócios pela percepção de uma oportunidade de mercado e não por uma simples questão de sobrevivência ou falta de opções. 

Em relação ao ramo de atividade, as micro e pequenas empresas das EMPREENDEDORAS, em sua maior parte, estão no comércio (varejo – moda, vestuário e calçados), serviços de beleza, estética, alimentação (doces, pães e bolo caseiros), confecções, couro, pequenas fábricas e oficinas de costura e escritórios de advocacia e contabilidade. 

PERFIL DA EMPREENDEDORA

Dependendo da opinião do especialista, é possível encontrar várias orientações sobre o assunto, todas elas válidas, que estão disponíveis para as interessadas no EMPREENDEDORISMO. As mais comuns salientam a resiliência, persistência e conhecimento sobre o mercado e sobre o produto/serviço.

Entretanto, a princípio é preciso dar destaque para características que são peculiares, próprias da maioria das mulheres (nem todas), que são de grande valor para a condução de uma empresa:

● Têm paciência no lugar da impulsividade (mas, nas empreendedoras mais jovens isto é um sério problema). 

● Têm percepção de detalhes e alto grau de desconfiança – aspectos que facilitam na criação de uma boa estratégia de trabalho e na GESTÃO DOS NEGÓCIOS.

● Sabem desenvolver várias tarefas simultaneamente. 

● Mulheres também são criativas e inovadoras.

● Criam bons relacionamentos com clientes e fornecedores. 

● São mais seguras na tomada de decisões.

● Não gostam de trabalhar com base na intuição.

De acordo dados da pesquisa “Empreendedorismo no Brasil: um recorte de gênero”, feita em 2019 pela Rede Mulher Empreendedora, 37,5% concluíram uma pós-graduação, contra 15% dos homens. Porém, 35% das mulheres acreditam que seu negócio terá continuidade (sucesso), enquanto que entre os entre homens a autoconfiança é maior e o percentual chega a 50%.

Segundo a mesma fonte, quanto menor a renda da mulher, maior é a dedicação às atividades relacionadas à casa e a família e menor é o tempo disponível para o empreendimento.

FEM TECHS

DEFINIÇÃO

Fem Tech é a junção de FEM de feminino e TECH de tecnologia (FEMALE e TECHNOLOGY). Em geral são STARTUP’S ou empresas que têm por MISSÃO a criação de soluções, produtos e serviços através da tecnologia, para satisfazer as necessidades do dia a dia das mulheres ou problemas relacionados ao universo feminino. Ou seja, o uso da tecnologia para atender necessidades específicas das mulheres, em especial sobre questões relacionadas à saúde e ao bem-estar.

As FEM TECHS tiveram origem no EMPODERAMENTO FEMININO nos EUA, no fim dos anos 60 e início da década de 70. A ideia nasceu dentro dos movimentos de direitos civis e movimento das mulheres pela liberdade de decidir sobre a própria vida.

Empoderamento: é entendido como o processo em que as pessoas, organizações ou comunidades assuem o controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida. Através do EMPODERAMENTO elas tomam consciência das suas habilidades, talentos e competências para produzir, criar, transformar, escolher e gerir seus destinos. Inclui a intromissão em fatos capazes de direcionar, obrigar, circunscrever ou impedir suas ações individuais e coletivas.

O CRESCIMENTO

A partir dos anos 90, o EMPODERAMENTO FEMININO ganhou força combatendo com maior intensidade, a tradição das mulheres serem negligenciadas em seus direitos e necessidades.

A partir do Século XXI, elas se organizaram de maneira mais contundente buscando a igualdade entre os gêneros participando em várias esferas – inclusive no EMPREENDEDORISMO. Porém, as EMPREENDEDORAS saíram dos ramos de atividade comuns com o desenvolvimento da tecnologia e criaram as FEM TECH.

AS FEM TECHS

A expressão foi criada em 2013 por  IDA TIN, uma empreendedora dinamarquesa e CEO de uma das primeiras FEM TECHS ( a Clue –  aplicativo de controle menstrual e de ovulação).

O que diferencia uma FEM TECH em relação a uma STARTUP comum é o trabalho voltado para a melhoria da vida das mulheres. As FEM TECHS se desenvolveram a partir do momento em que o mercado teve a correta percepção e o entendimento que o público feminino…

…apresentava um potencial enorme para consumir produtos de tecnologia – uma porção de mercado promissora a ser trabalhada.

…tinha hábitos de consumo e determinadas particularidades.

…apresentava preferência por marcas com alguma relação às causas feministas.

…tinha necessidades que não eram interessantes (ou compreendidas) pelas empresas de tecnologia.

Mas, a FEM TECH não se restringe apenas a criar produtos/serviços  direcionados para o público feminino. Uma a FEM TECH deve oferecer algo que permita que as mulheres tenham maior controle sobre suas vidas e sua saúde ao estreitar a relação com seu corpo. Também permite a quebra de paradigmas e tabus a respeito do universo feminino utilizando redes sociais para compartilhar experiências, auxílio digital. É a ciência e a tecnologia para orientar, antecipar, obter diagnósticos precoces e tratar enfermidades.

Há várias possibilidades em soluções digitais para mulheres: plataformas, aplicativos, dispositivos, inteligência artificial etc. O espaço é amplo e com perspectivas de crescimento altamente promissoras diante de um público cada vez mais atento com a saúde. E ninguém com melhor capacidade que as próprias mulheres para desenvolver soluções para as mulheres.

A tendência deu novos contornos às empresas de tecnologia, telemedicina,  mercado de trabalho e na evolução de políticas públicas de saúde. A partir de 2010 vem crescendo o número de iniciativas e investimentos com o objetivo de capacitar mulheres para atuar no segmento tecnológico (no mercado formal e no EMPREENDEDORISMO FEMININO).

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