Seguidores de Taylor – O casal Gilbreth

INTRODUÇÃO:

Sem sombra de dúvida FREDERICK TAYLOR (1856-1915) é apontado como o criador da Ciência da Administração. Ele foi o primeiro a medir o trabalho industrial e analisar fluxos de tarefas melhorando a EFICIÊNCIA ECONÔMICA, em especial, os níveis de produtividade. Criou a GESTÃO INDUSTRIAL moderna com seus estudos científicos de tempo, movimentos e observações dos processos de trabalho. Até hoje os resultados são usados ​​em operações e gerenciamento.

Entre os seguidores de TAYLOR, o casal GILBRETH teve destaque como uns dos pioneiros da ADMINISTRAÇÃO que defenderam a maioria dos princípios do TAYLORISMO.  Mas, seu interesse foi pelo esforço humano, nos estudos para aumentar PRODUTIVIDADE pela eficiência (a melhor forma de trabalho) e o bem estar do homem.

FRANK GILBRETH (1868 – 1924):  

Começou em 1885 como aprendiz de ladrilheiro numa construtora. Com o tempo começou a se interessar em encontrar “A MELHOR MANEIRA” de executar qualquer tarefa ao OBSERVAR diversos métodos e a eficiência dos outros pedreiros. 

Rapidamente aprendeu cada parte do trabalho da construção. Após frequentar um curso noturno de desenho mecânico chegou a superintendente em 1890. Tendo por base suas observações, FRANK BUNKER GILBRETH criou um andaime em vários níveis para manter os tijolos ao alcance do pedreiro e outras inovações na construção com concreto. Pouco tempo depois se tornou superintendente-chefe.

Como o proprietário da construtora não teve interesse em tê-lo como parceiro, GILBRETH foi começar sua própria empresa como empreiteiro, inventor, e, finalmente, ENGENHEIRO DE GESTÃO.

Criou meios para fazer da alvenaria um trabalho mais fácil e rápido.

Casou-se em 1904 com LILLIAN EVELYN MOLLER com quem estudou o trabalho de funcionários de todos os tipos de indústrias. O objetivo foi encontrar formas de aumentar a produção e facilitar as tarefas. Em 1905 ingressou na Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (ASME) onde entrou em contato com FREDERICK TAYLOR e se tornou um grande entusiasta da ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFCA.

LILLIAN EVELYN MOLLER GILBRETH (1878 – 1972):

Foi psicóloga, engenheira industrial, consultora, educadora e pioneira na aplicação da PSICOLOGIA nos estudos relativos a tempo e movimento e fatores humanos.  

LILLIAN formou a síntese da PSICOLOGIA e ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA. Seus trabalhos com FRANK GILBRETH ganharam notoriedade por torna-los especialistas em eficiência, contribuindo para a engenharia industrial. Os GILBRETH criaram sua empresa de consultoria em 1914, que LILLIAN liderou por décadas após a morte de FRANK em 1924. Eles eram especialmente hábeis em seus estudos e nomearam a sua metodologia como “SISTEMA GILBRETH”.

Combinando PSICOLOGIA com engenharia, ela ajudou engenheiros industriais a reconhecerem a importância das dimensões psicológicas do trabalho. LILLIAN também se tornou famosa em assuntos como GESTÃO DOMÉSTICA e ECONOMIA DOMÉSTICA. Superando obstáculos, ela foi uma das criadoras do que hoje é conhecido como PSICOLOGIA INDUSTRIAL E ORGANIZACIONAL.

O CASAL GILBRETH E O TAYLORISMO

Normalmente o trabalho do casal GILBRETH é comparado com alguns aspectos do TAYLORISMO. FRANK e LILLIAN tiveram interesse pelas ideias revolucionárias da ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA, mas, tinham plena convicção de que não eram suficientes em relação ao modo de lidar com o ser humano no chão de fábrica. Além disso, tinham certeza que não seria fácil colocar o TAYLORISMO em prática por demandar um trabalho duro de engenheiros e psicólogos. 

As ideias, essencialmente diferentes, criaram muita animosidade e atritos entre FRANK GILBRETH e o forte temperamento de FREDERICK TAYLOR. As visões eram bem distintas em alguns pontos e o casal GILBRETH desenvolveu suas próprias formas de avaliação e análise.

FREDERICK TAYLOR:  o TAYLORISMO era visto pelos próprios operários como um método que apenas se preocupava com os lucros dos empresários. TAYLOR dividiu cada TAREFA em partes menores (as SUB TAREFAS) com base no cronômetro para determinar o método mais eficiente para elevar a eficiência no nível operacional.

Em seus estudos sobre movimentos o casal GILBRETH descobriu que a chave para aumentar a eficiência estava na redução de movimentos desnecessários que causavam fadiga no trabalhador.  E havia também a necessidade de melhorar o design dos equipamentos, com ajustes nos assentos e na altura das bancadas (conceito de ERGONOMIA). As empresas e indústrias poderiam melhorar suas técnicas de gestão, eficiência e produtividade com a correta interação entre pessoas e objetos materiais.

O SISTEMA GILBRETH

Inicialmente eles aplicaram os métodos de TAYLOR e depois desenvolveram suas próprias técnicas. O objetivo do estudo da FADIGA HUMANA foi encontrar a melhor maneira de realizar uma tarefa e aumentar a eficiência com princípios relativos à economia de movimentos.

A VISÃO HUMANISTA: pelo SISTEMA GILBRETH era preciso eliminar a FADIGA para a melhoria da qualidade de vida dos operários. Os demais ganhos são secundários.

LIGHT GRAFITTI

FRANK e LILLIAN foram muito criativos para registrar os processos usando uma nova técnica em seus estudos com uma câmera de cinema de 35 mm. 

A princípio estudaram os movimentos de jogadores de basebol, médicos, trabalhadores da construção civil, feridos e veteranos amputados da I GUERRA MUNDIAL.

Filmaram trabalhadores em fábricas, escritórios, hospitais e outros locais de trabalho entre 1910 e 1924. Em seguida analisavam movimentos enfatizando áreas de melhoria de eficiência, redução de movimentos desnecessários e fadiga. As observações, filmadas com registros cinematográficos em LIGHT GRAFITTI, permitiram o redesenho do maquinário adequando movimentos e criando novas formas de trabalho para aumentar produtividade.

Os GILBRETH ajudaram a formular uma crítica construtiva aos métodos TAYLORISTAS e tiveram apoio de outros estudiosos da Administração. Seus registros ampliaram os estudos de tempos e movimentos para racionalizar o trabalho.

MAIOR EFICIÊNCIA

FRANK e LILIAN GILBERTH propuseram alguns princípios relativos à economia de movimentos. Eles foram agrupados em 3 aspectos relativos ao uso do corpo humano, ao arranjo do local de trabalho e ao desempenho dos equipamentos e ferramentas.

A análise dos movimentos estava coerente com a evolução da produção iniciada no Século XX. Para eliminar os desperdícios analisaram as formas como tarefas repetitivas eram feitas idealizando “A MELHOR FORMA” de execução de qualquer operação. Inclusive, o tempo obtido através de um melhor uso dos movimentos do corpo. O trabalho tinha dois componentes: aumentar a eficiência na forma como os operários executavam suas tarefas e reduzir movimentos para diminuir a FADIGA e a queda da produtividade.

A SATISFAÇÃO HUMANA

Após a morte de FRANK, LILIAN GILBRETH e também efetuou estudos sobre ERGONOMIA (disciplina relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos), seleção e treinamento de empregados.

Ela considerava o AMBIENTE e as oportunidades dadas aos funcionários como sendo essenciais para o aprimoramento da produtividade. O seu trabalho foi focado na ineficiência e no desperdício. Mas, não apenas no movimento e no tempo, mas também no potencial da SATISFAÇÃO HUMANA com o trabalho.

LILIAN afirmava que, quando os trabalhos não são planejados corretamente, eles se tornavam cansativos e sem prazer. Analisava dimensões psicológicas do trabalho na vida dos trabalhadores focando o potencial de SATISFAÇÃO HUMANA que poderia vir da forma como o trabalho estava sendo executado. Por isso dispensava especial atenção ao planejamento de atividades, ineficiência e desperdício.

Na construção, FRANK GILBRETH sempre estranhou o grande número de movimentos dos pedreiros na execução das mesmas operações, com muito desgaste físico e com o esforço desnecessário.

A organização do trabalho deveria ter como início a análise prévia e detalhada dos métodos de execução das operações. E este estudo não deveria se restringir apenas em relação aos movimentos. Deveria também dar a mesma importância para a análise de todo o ambiente de trabalho.

FRANK e LILLIAN escreveram vários livros e mais de cinquenta artigos sobre tópicos científicos: A Primer of Scientific Management (1911), Estudo da Fadiga (1916), Estudo de movimento aplicado: uma coleção de artigos sobre o método eficiente para a preparação industrial (1917).

Sugestão de Leitura

ANDRADE, RUI OTÁVIO BERNARDES DE; AMBONI, NÉRIO. Teoria Geral da Administração. Editora Campus. Edição 1ª. Rio de Janeiro, 2009.

BARNES RALPH MOSSER. Estudo de Movimentos e de Tempos: Projeto e Medida do Trabalho. Editora Blucher. Edição 1ª. São Paulo, 2001.

CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. Editora Manole. Edição 9ª. Barueri, 2009.

ABRANTES, JOSÉ. Teoria Geral da Administração – TGA: Antropologia Empresarial e Problemática Ambiental. Editora Interciência. Edição 1ª. Rio de Janeiro, 2012.

PANIAGO, ROBSON ASSIS. TGA: Made in Brazil. Editora Plêiade. Edição 2ª.   São Paulo, 2014

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