7 – Estruturalismo – Teóricos 1

INTRODUÇÃO:

Muitas opiniões a respeito da TEORIA ESTRUTURALISTA afirmam que os seus conceitos foram muito úteis somente para o cenário do pós-guerra. No final da década de 50 e metade da década seguinte, suas propostas já fariam parte do passado. Mas, apesar de serem vistas desta forma, outros estudiosos continuaram a valorizar o ESTRUTURALISMO abordando outros aspectos.  

O ESTRUTURALISMO não entrou em extinção. O conceito de ESTRUTURA permaneceu como sendo o conjunto formal de dois (ou mais) elementos e que permanece inalterado, seja na mudança ou na diversidade de conteúdo. Isto é, a ESTRUTURA se mantém, mesmo com a alteração de um de seus elementos ou relações.

Mesmo não sendo mais o foco principal dos estudos da ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, vários teóricos continuaram desenvolvendo análises sobre as ORGANIZAÇÕES, a importância das suas ESTRUTURAS, as TIPOLOGIAS DAS ORGANIZAÇÕES e o conceito do HOMEM ORGANIZACIONAL  

Na literatura sobre o assunto, além das TIPOLOGIAS de ETIZIONI, BLAU e SCOTT, há outras abordagens e ideias desenvolvidas por estudioso menos conhecidos. E, sem dúvida, a ênfase desta teoria é sobre a ESTRUTURA ORGANIZACIONAL, organização formal e informal, pessoas, a complexidade das organizações, o ambiente interno e externo etc.

Segundo MOTTA, o ESTRUTURALISMO “considera os fenômenos ou elementos com referência em sua totalidade, considerando, pois, o seu valor de posição, podendo ser caracterizado como comparativo e totalizante.” …. “Este método implica numa totalidade e interdependência, já que considera que o todo é maior do que a soma das partes.” MOTTA, FERNANDO CLÁUDIO PRESTES. O estruturalismo na teoria das organizações. Revista de Administração de Empresas, v. 10, n. 4, p. 24, 1970.

A MODERNA ORGANIZAÇÃO  DE VICTOR A. THOMPSON

Em seu livro MODERNA ORGANIZAÇÃO, publicado em 1961, o autor fez duras críticas e desaprovações em um estudo profundo de aspectos estruturais e das estruturais das ORGANIZAÇÕES. Segundo THOMPSON, professor em ciências políticas e chefe do Departamento de Ciência Política e Social do Instituto de Tecnologia de Illinois, a rigidez da hierarquia da TEORIA DA BUROCRACIA é a principal causa da falta de iniciativa e criatividade dos indivíduos. Além do mais, os profissionais especialistas são uma ameaça ao STATUS QUO da hierarquia burocrática (a burocracia moderna é a adaptação de velhas formas de organização).

Apesar de ter uma abordagem sociológica e estudou determinantes estruturais do comportamento, VICTOR A. THOMPSON tentou uma análise de caráter mais funcional. A preocupação de foi em função do impacto das várias atividades e relações organizacionais sobre esses três conjuntos de valores:

1 – Estrutura: qualidades persistentes ou os elementos dados nas condições ambientais de escolha ou a ação que tornam possível explicar e prever a ação.

2 – Função: é o resultado prático de uma ação, relação, acontecimento em relação a algum valor ou grupo de valores.

3 – Cargo: é um sistema de direitos e deveres em uma situação de interação. O conflito maior nas organizações é representado pelos defensores de funções dentro da estrutura burocrática em oposiçãoaos especialistas (cada vez mais necessários dentro do sistema organizacional). O conflito entre a hierarquia burocrática e a especialização só poderá diminuir quando for reconhecida a necessidade de interação e mútua dependência entre eles.

“a característica mais sintomática da organização moderna é o desequilíbrio crescente entre a capacidade e a autoridade, que no modelo burocrático se baseia na estrutura hierárquica definida por um sistema formal”. THOMPSON, VICTOR A. Moderna Organização. Rio de Janeiro e São Paulo, Freitas Bastos, 1967 p. 13.

TEORIA FUNCIONALISTA DE TALCOTT PARSONS

Muitas opiniões afirmam que TALCOTT EDGAR FREDERICK PARSONS foi um dos mais influentes sociólogos e pensadores americanos e considerado o criador do FUNCIONALISMO ESTRUTURALISTA. Em 1927 foi professor assistente em HARVARD no departamento de economia e tornou-se catedrático de sociologia de 1937 a 1973. “A ESTRUTURA DA AÇÃO SOCIAL” foi o seu primeiro livro (de 1937) e o destacou nos Estados Unidos na área da pesquisa acadêmica de SOCIOLOGIA.

PARSONS criou em HARVARD um laboratório interdisciplinar combinando estudos de sociologia, antropologia e psicologia. Posteriormente, este trabalho seria transformado no DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES SOCIAIS. Foi eleito presidente da Sociedade Americana de Sociologia em 1949 a após 1973 atuou como professor convidado em outras instituições, publicou livros e proferiu palestras.  

PARSONS efetuou uma revisão das ideias de WEBER, PARETTO e DURKHEIM procurando uma teoria (o FUNCIONALISMO) mais simples com base na suposição de que a ação humana é voluntária, intencional e simbólica.  

O FUNCIONALISMO da antropologia e da sociologia afirma que a sociedade é um todo organizado por meio de funções que os indivíduos, instituições e grupos sociais desempenham. Então, a sociedade é um todo complexo dividido em partes, sendo que cada parte desempenha um papel individual. A junção de todas essas partes fragmentadas explica o todo. Portanto, a sociedade é uma totalidade complexa e sistemática.

PARSONS aprofundou a TEORIA FUNCIONALISTA, retirando elementos da obra de MAX WEBER e do sociólogo francês clássico ÉMILE DURKHEIM. Para PARSONS, o funcionalismo é estrutural e é uma etapa para se constituir em um método de análise seguro das ciências sociais.

O FUNCIONALISMO deve atentar-se à estrutura social, buscando entender a sociedade como um sistema que busca o equilíbrio. Os elementos de uma sociedade estão estruturados mantendo uma autorregulação do todo que, de algum modo, traz um certo equilíbrio nas relações sociais, criando um sistema social.

PARSONS afirmou que um SISTEMA SOCIAL é um conjunto sistemático de unidades de atos de um ou mais atores. Isto é, um conjunto de ações de indivíduos ou de grupos. Assim, os sistemas sociais podem ser decompostos, e essa decomposição facilita o entendimento dos sistemas sociais. Existem também regras que os sistemas sociais devem cumprir para que sejam considerados como sistemas. É necessário que haja neles uma ESTRUTURA bem definida, que eles sejam divididos em funções, e que os indivíduos e suas ações sejam entendidos como processos do sistema e no sistema.

FRASE:

A família é a máquina que produz personalidades humanas”. TALCOTT PARSONS

PARSONS, TALCOTT. A Estrutura da ação social Vol. 1 – Marshall, Pareto, Durkheim: Um estudo de teoria social com especial referência a um grupo de autores europeus recentes: Volume 1. Editora Vozes. Edição 1ª.  Petrópolis, 2010.

PARSONS – A Finalidade da ORGANIZAÇÃO

Em termos macroeconômicos: é combinar fatores de produção para facilitar a obtenção efetiva do objetivo da ORGANIZAÇÃO. Ela é significativa na perspectiva a longo prazo e envolvida em processo de MUDANÇA ESTRUTURAL na sociedade (empreendedora).

Em termos microeconômicos: ela é uma parte central dos estágios básicos de qualquer atividade. Pelo estudo do nível micro da organização é possível fazer mudanças e ajustamentos necessários nas suas atividades, complementando, assim, sua finalidade macroeconômica.

Sugestão de Leitura

OLIVEIRA, DJALMA DE PINHO REBOUÇAS DE. Estrutura Organizacional: Uma Abordagem Para Resultados e Competitividade. Editora ‏ ‎Atlas. Edição 3ª. São Paulo, 2014.

CHIAVENATTO, IDALBERTO. Introdução à Teoria Geral da Administração. Editora Campus. Edição 7ª. São Paulo, 2003.

MUNIZ, ADIR JAIMEDE OLIVEIRA; FARIA, HERMÍNIO AUGUSTO. Teoria Geral da Administração. Editora Atlas. Edição 5ª. São Paulo, 2005.

Deixe um comentário